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Estudante é trabalhador(a)!

Tornou-se comum ouvirmos que as universidades públicas são espaços de playboy, daqueles que passam a vida em escolas privadas, que não precisam se preocupar com contas no final de mês e que tem empregados e roupas de marca. De tanto falarem isso muitas pessoas acabam acreditando e, até mesmo entre estudantes, existe quem caia nesse conto do vigário.

Na realidade a situação dos e das estudantes evidencia que somos uma maioria de pobres, com 53,54% de nossas famílias tendo renda de até 1 salário mínimo per capita. Razão pela qual 70,5% de nós trabalhamos ou estamos à procura de trabalho. E quando encontramos um trabalho, ele é sem direitos em grande parte dos casos (44,4%), seja em um subemprego ou em um estágio sub-remunerado. E é através destes trabalhos cada vez mais precarizados que colocamos comida na mesa, pagamos aluguéis, cobrimos gastos com luz e água vendo nosso suor diário ser levado por preços cada vez mais altos nos supermercados, nas tarifas de contas e nos ajustes arbitrários das imobiliárias. Esse processo de elevação dos preços – chamado de carestia da vida – pesa principalmente sobre os 37,8% de nós que somos o sustento de nossas famílias, mas também mostra seus duros efeitos sobre os milhares que “chegam junto” para ajudar nas despesas familiares. É também importante ressalvar que 52,1% dos estudantes de universidades públicas somos autodeclarados pretos, pardos e indígenas, ou seja, somos pertencentes dos grupos étnico-raciais que “herdaram” a chibata nas costas que deixou a marca da desigualdade social e da miséria cada vez mais elevada.

A entrada das e dos de baixo ainda tem muito que avançar. Nós pobres ainda somos as/os mais prejudicadas/os com o ENEM e somos as/os que mais desistem dos cursos universitários devido à falta de bolsas que não suprem de forma adequada as nossas necessidades básicas; também somos as/os últimas/os a ter acesso às creches universitárias (quando elas existem) e as/os mais empurradas/os para os subempregos. Mas com os dados do nosso perfil fica evidente que a história de “universidade pública ser de playboy” é balela, das mais mentirosas, inventada por quem quer cortar ainda mais as creches universitárias, as bolsas, as pesquisas, as oportunidades.

Desta forma, não basta criar a mentira que diz que “estudantes não são trabalhadores e trabalhadores”. Com a necessidade crescente de estudantes por trabalho para sobreviver e continuar seus estudos, eles inventam uma nova mentira: “o empreendedor de si”, seja para estimular a PJotização que retira direitos trabalhistas ou mesmo para vender que trabalhar em aplicativos de transporte e entrega de alimentos, vender doces nas universidades, revender cosméticos e afins é “investir em si mesmo”, se fazendo livre das “amarras de velhas relações de trabalho”.

Neste 1º de Maio, data histórica da nossa classe, forjada na luta de trabalhadores e trabalhadoras em defesa de uma jornada de trabalho de 8 horas, melhores condições de trabalho e pelo fim do trabalho infantil, devemos combater todas as mentiras que queiram mascarar a nossa realidade.

Somos estudantes pobres, portanto exigimos assistência e permanência estudantil; ao passo que também somos trabalhadores e trabalhadoras, portanto exigimos direito à aposentadoria, condições de trabalho e vida digna.

Somos trabalhadores e trabalhadoras pois temos que nos submeter aos bicos mal-remunerados, a trocar horas de estudo por horas produzindo as comidas que venderemos nas universidades e ruas, pois nos arriscamos nos aplicativos de transporte e entrega para gerar lucro de um patrão que nem vemos. Mesmo na pós-graduação, a situação também é essa, somos as e os trabalhadores responsáveis pelos avanços científicos necessários ao enfrentamento dos problemas sociais, como a criação de respiradores para os atingidos pelo novo coronavírus, mas não temos acesso a direitos trabalhistas, regulamentação do trabalho, ficamos submetidos ao produtivismo das agências fomentadoras. E por não sermos entendidos como trabalhadores pelo governo, ficamos relegados a não ter contribuição previdenciária e nossos rendimentos não serem salários, mas sim bolsas que não recebem correção anual.

Somos filhos e filhas de trabalhadores e trabalhadoras, e em muitos casos, somos pais e mães estudantes. Diante do cenário de crise que atravessamos, de retirada de direitos, de aumento dos preços e da violência policial temos por tarefa unir forças com as categorias e setores que se levantam e se colocam em luta, para garantir nosso direito à quarentena sem perda de direitos e com salários integrais, investimentos em saneamento e saúde, a suspensão da EC95 (antiga PEC do Teto dos Gastos que congelou, por 20 anos, os investimentos públicos). E, quando do retorno das atividades, a tarefa será construir piquetes e barricadas rumo a uma greve geral de base, sem depositar nenhuma ilusão nas eleições.

É com a ideia de debatermos mais a fundo as armadilhas dos inimigos, bem como as saídas que devemos apontar para a crise que nós convidamos você para a live “Estudante é trabalhador(a)” que ocorrerá no dia 08/05/2020 às 18:00. Aqui mesmo no facebook através das nossas páginas.

1º de maio é dia do/a trabalhador/a, é dia de luta!
Estudante é trabalhador/a!
Estudante é resistência na LUTA por VIDA DIGNA!
Que os de cima paguem pela PANDEMIA!

EaD não é a solução durante a pandemia

Publicamos a série abaixo em três textos no site Repórter Popular. Aqui, incluímos os três textos na mesma postagem, pois fazem parte de uma mesma análise crítica do uso da EaD, em especial no momento da pandemia.


EaD não é a solução durante a pandemia: o determinismo da tecnologia e o uso de nossos dados

Na medida em que a pandemia avançou, e com vistas a fortalecer o distanciamento social, instituições de ensino de todo o país suspenderam suas atividades presenciais. No entanto, muitas delas vêm buscando ou implementando alternativas para o funcionamento a distância.

Muitas pessoas presumem que as tecnologias digitais e o ambiente virtual permitem realizar atividades da mesma forma que presencialmente. Nas últimas décadas, afinal, tantas coisas que fazíamos em papel ou pessoalmente passamos a fazer digitando em computadores ou celulares no sofá de casa. Por que seria diferente com a educação? Ela já não vem funcionando dessa forma em muitos lugares?

São várias as razões pelas quais educação e distância não combinam. Com esta série de textos, nos propomos a discutir criticamente a Educação a Distância (EaD), pois não podemos deixar que, neste momento, em que estamos todas fora dos eixos de algum modo, nos vendam como um futuro inevitável o que é na verdade uma péssima solução para os problemas da educação e, no fim das contas, das nossas vidas.

No primeiro texto, discutimos a origem e a história da EaD, o tecnicismo e a crença no progresso tecnológico por trás do otimismo atual, além dos impactos e implicações de migrar nossas salas de aula para a infraestrutura da Google, uma mega-empresa que vive de coletar e vender nossos dados. No segundo texto, discutimos consequências da adesão à EaD em nossas instituições de ensino, como a precarização do trabalho, redução da qualidade do ensino e aprofundamento do abismo de desigualdade entre as escolas privadas e a juventude pobre. No terceiro texto, discutimos a concepção de educação por trás da EaD e o que acreditamos ser o papel das escolas e universidades em meio à pandemia, na defesa de uma vida digna para todas. Os textos serão publicados, um por dia, aqui no Repórter Popular.

De onde vem a EaD?

Algumas pesquisadoras da área dizem que a origem histórica da educação a distância se deu com as cartas de Paulo a comunidades da Ásia menor, na tentativa de cristianizá-las em meados do século I. Outras enxergam a origem na invenção da imprensa de Gutemberg, no século XV, sendo a possibilidade de produção de livros em maior escala como um marco para a EaD. É seguro dizer que estas perspectivas sofrem do que chamamos de anacronismo: atribuir (erroneamente) ao passado conceitos modernos. Nesse caso, o anacronismo acaba sendo uma forma de naturalização – fazer crer que a EaD é algo que sempre “esteve aí”, em vez de ser algo construído pelas pessoas em um contexto específico.

A despeito da controvérsia, o início de cursos de línguas via correspondência na Europa do Século XIX é um marco mais comumente aceito para o início da educação a distância. Desta forma, o histórico da EaD se relaciona aos avanços nas tecnologias de informação e comunicação, passando pelos serviços postais nacionais, o rádio e posteriormente a televisão, chegando às novas tecnologias de informação e comunicação que temos hoje, estas últimas permitindo a massificação da EaD.

Quando pensamos no caso brasileiro, a EaD surge primeiramente em 1904 por iniciativa estadunidense através de cursos por correspondência. É só a partir dos anos 30, no entanto, que ela cresce com mais força, com foco no ensino profissionalizante. Um grande estusiasta dessa modalidade foi Edgard Roquette-Pinto, considerado pai da rádio-difusão no país e também ligado a pautas eugenistas na época. A EaD então funcionava como alternativa especialmente na âmbito da educação não formal. Ela passou a ser utilizada sob a justificativa de tornar o conhecimento acessível às pessoas que residiam em áreas isoladas ou sem condições de cursar o ensino regular no período normal, como pretendeu Darcy Ribeiro, outro grande entusiasta da modalidade e que contribuiu na sua consolidação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96).

A EaD é inevitável?

Não é por acaso que a EaD pareça para tantas pessoas, em especial fora do campo da Educação, uma solução milagrosa. Um entre tantos exemplos foi dado pelo divulgador científico Átila Iamarino, que apontou o crescimento da EaD na educação como uma provável mudança positiva da sociedade pós-pandemia. Isso é resultado de uma concepção equivocada do que é a tecnologia, como se seu avanço fosse linear, inescapável; como se só pudesse caminhar nessa exata direção que vem tomando, e como se toda tecnologia viesse para o progresso e a melhoria da vida. É justo esse otimismo tecnológico? 

Enriquecimento de urânio, escavação do pré-sal, plantas transgênicas cujas sementes não podem ser replantadas, celulares com geolocalização por GPS, vacinas e medicamentos contra doenças tropicais… quais recebem prioridade e investimento? Quem se beneficia de umas e de outras? Quem decide sobre seu uso?

A tecnologia que chega a ser produzida é o resultado da correlação de forças e interesses por trás da produção científica, industrial, das políticas públicas e das previsões do mercado. Se o capitalismo é o modelo de sociedade em que o capital fala mais alto, as tecnologias produzidas nele servirão acima de tudo ao capital, ao aumento das taxas de lucro e redução de custos. Isso não significa dizer que a tecnologia vá sempre ser negativa e que devemos abandoná-la, pelo contrário. Significa entender como ela tem grande potencial de impactar a sociedade e mudar seus rumos. Precisamos criticar as tecnologias existentes como passo para disputar a produção de tecnologias que sirvam às classes oprimidas!

Afirmar isso em um contexto de avanço da EaD significa questionar a quem as tecnologias digitais no meio educacional estão servindo e com que propósitos. Temos hoje a empresa brasileira Cogna (antiga Kroton) como a maior do ramo educacional no mundo e a realidade de mais vagas em instituições de ensino superior para a modalidade EaD do que a presencial no país. O que está em jogo, afinal?

É importante lembrar que muitas daquelas que agora defendem que a educação não pode parar e que as aulas online são fundamentais não disseram nada quando o Governo Federal acabou com a TV Escola, uma importante iniciativa pública que produzia bons materiais e conteúdos auxiliares, atuando como um complemento à distância para a formação. Qual é a verdadeira preocupação então?

A Google vê na pandemia uma oportunidade

Quem aparece neste momento como alternativa para efetivar a educação a distância não são as estruturas públicas, mas iniciativas como o Google for Education. A rede estadual de Santa Catarina é um grande exemplo: após um acordo experimental em 2016, aplicado em poucas escolas, agora todas as escolas do estado estão sendo forçadas a realizar educação online através das ferramentas da empresa. Sem oferecer formação prévia, sem disponibilizar equipamentos adequados às professoras, muito menos às estudantes e suas famílias.

Há, no entanto, outro problema igualmente sério, mas pouco discutido, que é a quantidade massiva de dados pessoais que serão entregues à empresa mais valiosa do mundo – cujo lucro vem, exatamente, de explorar nossos dados e vendê-los para quem pagar melhor. Quais as possíveis consequências de oferecer à Google todos esses dados de milhões de estudantes?

Estes dados incluem nome, idade, endereço, equipamentos digitais de acesso (computadores e celulares), mas também seus saberes, dúvidas, ritmos de aprendizado, interesses, e interações sociais. Tudo que é feito nas plataformas da Google é monitorado e salvo para montar perfis pessoais aprofundados, que servirão para fazer marketing personalizado, políticas públicas de comportamento de massas, campanhas eleitorais, entre outras possibilidades que ainda não entendemos plenamente. Estamos colocando um conjunto de bilionários bisbilhotando cada passo da educação de cada um de nossos jovens!

A EaD é uma tecnologia que deve ser pensada criticamente, e se a forma técnica de sua implementação atual está sendo problemática, esta é apenas a ponta da geleira. Nos próximos textos, discutiremos outros efeitos da expansão da EaD na última década e como ela acaba se distanciando de uma ideia de educação aliada a uma vida digna.


EaD não é a solução durante a pandemia: precarização do ensino e o abismo da desigualdade

Por Resistência Popular Estudantil – Floripa

Este é o segundo texto de uma série sobre a Educação a Distância (EaD). No primeiro, relatamos a origem e a história da EaD, analisando o tecnicismo e a crença no progresso tecnológico por trás do otimismo atual, além dos impactos e implicações de migrar nossas salas de aula para infraestruturas privadas (como a da Google, uma mega-empresa que vive de coletar e vender nossos dados). Hoje, falaremos sobre os resultados de aderir à EaD em nossas instituições de ensino, como a precarização do trabalho, redução da qualidade do ensino e aprofundamento do abismo de desigualdade entre as escolas privadas e a juventude pobre.

Para onde a EaD tem levado

O avanço da EaD no ensino superior mostra-se mais acentuado quando o assunto é formação docente. Cursos de Pedagogia e Licenciaturas recebem o dobro de matrículas em comparação a demais áreas do ensino superior, e a rede privada é a que mais forma professoras hoje, mais da metade delas na modalidade a distância. Muitos desses cursos oferecem formação rápida para ingresso acelerado no mercado de trabalho, que para estas profissionais já se apresenta bastante precarizado, e vem consolidando uma indústria de cursos online para baratear os custos de formação.

O que se percebe é um sistema educacional que se torna cada dia mais perverso. O mercado forma professoras em EaD de modo apressado e pouco crítico, gestoras se aproveitam do mesmo discurso hegemônico de uso de tecnologias digitais como resposta para demandas atuais de ensino, e as trabalhadoras da educação acabam impedidas de realizar um processo educativo que considere cada contexto e realidade social, além de abordar outras dimensões para além da reprodução conteudista.

Trabalhando muito e ganhando pouco por isso, essas profissionais vêem seu trabalho se esvaziar de sentido, o que se reflete nas estudantes, que não vêem nos conhecimentos apresentados formas de lidar com situações de sofrimento e de transformar suas vidas. Isso também resulta em futuras profissionais reprodutoras de um sistema que as explora. A profissão passa a ser pouco desejada e buscada apenas pela facilidade de formação e ingresso no mercado de trabalho, mas a precarização do serviço e da formação faz com que sua ação pedagógica esteja cada vez mais afastada daquela que é realmente necessária.

Isso sem falar na realidade brasileira de desobrigação de formação pedagógica para atuação docente em instituições privadas, onde, para lecionar cursos EaD, são desejáveis apenas características como “inovação”, “adaptação”, “inteligência pessoal e emocional”, entre outras que fogem aos aspectos relacionais e de contexto, tão essenciais para a atuação profissional docente coerente e comprometida com os sujeitos da ação pedagógica. O cenário que se mostra é o de professoras com formação duvidosa trabalhando em condições precárias e (de)formando pessoas para o mercado de trabalho. Onde foi parar a democratização da educação?

A EaD como solução de emergência

Utilizada para tentar manter uma “normalidade” diante da pandemia, a EaD tem sido um desastre em vários níveis. Em vários casos, ela se resume a “atividades” sem contexto que estudantes deveriam desenvolver de forma “autônoma”. Em outros, ela se trata das mesmas aulas de sempre, só que transmitidas ao vivo. O problema é que estes últimos casos só costumam ocorrer onde há recursos, sejam eles financeiros, humanos e/ou tecnológicos. No caso do sistema público de educação, a falta de recursos não está só do lado da infrastrutura pública sucateada, mas também das próprias estudantes, que muitas vezes não têm acesso à internet ou, se têm, é precário ou exclusivamente através de celulares (que estão longe de serem dispositivos ideais para estudar). Muitas trabalhadoras da educação com frequência não têm treinamento adequado para o uso dessas ferramentas, e agora estão sendo cobradas para que as aprendam a toque de caixa.

Pode até parecer que com “recursos” a EaD poderia substituir a educação presencial. Mas este não é o caso. Muitas universidades citam aulas em laboratório como situações em que é impeditivo realizar educação a distância; na educação básica, o exemplo mais vívido talvez seja o da educação física. Não dá para abstrair os corpos dos sujeitos da educação como se fossem arquivos em uma “nuvem” digital, especialmente no contexto em que vivemos. Assim como Restaurantes Universitários fornecem alimentação adequada e acessível, imprescindível para a permanência de tantas estudantes, sabe-se o papel essencial das merendas escolares para muitas estudantes e suas famílias. Estudantes que, aliás, sentem o estresse de ver no domicílio uma prisão, a ansiedade de ouvir estatísticas obituárias cada vez maiores todos os dias, o peso de perder familiares, de lidar com o medo do endividamento, do despejo, da fome. Há ainda algumas cujas casas sequer são lares, mas ambientes de abuso e falta de perspectiva em vez de acolhimento.

Dessa forma, a manutenção das aulas online em uma falsa normalidade faz mais do que precarizar o ensino. Ela aprofunda o abismo da desigualdade existente por toda a falta de condições materiais na maioria dos lares do país. Mais do que os conteúdos, em si, é o convívio com a estrutura da escola e com as suas trabalhadoras que permite enfrentar muitas dessas ausências, conhecer as dificuldades de cada pessoa, pensar em acessibilidade, em oferecer vislumbres de um mundo mais amplo do que aquele visto dentro de casa. Ao contrário do empresariado da educação, que precisa manter as coisas em funcionamento porque só estão pensando na garantia de seus lucros, nós dizemos que não: nenhuma criança e jovem pode ser deixada para trás!

O que significa não deixá-las para trás? No próximo texto, discutiremos a concepção de educação por trás da EaD e o que acreditamos ser o papel das escolas e universidades em meio à pandemia, na defesa de uma vida digna para todas. Os textos da série serão publicados, um por dia, aqui no Repórter Popular.


EaD não é a solução durante a pandemia: o sentido da educação e a luta por uma vida digna

Este é o terceiro texto de uma série sobre a Educação a Distância (EaD). No primeiro, relatamos a origem e a história da EaD, analisando o tecnicismo e a crença no progresso tecnológico por trás do otimismo atual, além dos impactos e implicações de migrar nossas salas de aula para infraestruturas privadas (como a da Google, uma mega-empresa que vive de coletar e vender nossos dados). No segundo, discutimos consequências da adesão à EaD em nossas instituições de ensino, como a precarização do trabalho, redução da qualidade do ensino e aprofundamento do abismo de desigualdade entre as escolas privadas e a juventude pobre. Nesta parte final, discutimos a concepção de educação por trás da EaD e o que acreditamos ser o papel das escolas e universidades em meio à pandemia, na defesa de uma vida digna para todas.

“Educação” a distância?

A partir do que foi discutido em nosso primeiro texto, sobre a história da EaD, é possível entender por que ela já foi celebrada como “democratização”. O que ela faz ao levar conhecimento técnico onde este é de difícil acesso é certamente louvável. Ela ultrapassa não só barreiras geográficas como as de outros tipos, possibilitando que muitas trabalhadoras, mesmo em centros urbanos, consigam obter educação formal e melhorar suas vidas. Mas é realmente a “educação” que a EaD democratiza?

Comparar as cartas de Paulo do século I à EaD é mais que tentar naturalizar esta última: é dizer que evangelizar é o mesmo que educar. Mas educar é muito mais: é preparar para a vida, o que vale tanto para crianças quanto para a educação que buscam pessoas adultas. A vida não é só o que fazemos com corpos e objetos, mas também umas com as outras, enquanto sociedade. Toda educação ensina alguma coisa “técnica”, mas também socializa é um modelo prático de relações entre as pessoas.

Evangelizar é propagar uma ideia pronta, mas a sociedade que queremos é uma em que as pessoas convivam entre diferentes perspectivas. Para isso é preciso aprender a ouvir, analisar, dialogar, argumentar e chegar a acordos. Não estamos falando só de educação como fenômeno político – como algo que fomenta o convívio entre as pessoas, que embasa a democracia – mas da própria produção de conhecimento científico. Conhecimento de verdade é o que se põe à prova, que pode ser e é criticado. A educação exige debate, desafio; (con)vivências que nos causem estranhamento, seja na física ou no estudo de línguas, na biologia, na história. Na educação básica, trata-se de ampliar os horizontes de quem, de outro modo, poderia crescer confinada aos muros de uma tradição conformista; na superior, de produzir e transmitir não só as conclusões às quais outras pessoas já chegaram, mas o próprio raciocínio pra chegar a novas conclusões. Enfatizamos que o aspecto coletivo e social deste processo é uma de suas características mais essenciais. Não importa o quanto textos, vídeos e aparelhos estejam na mediação do processo de aprendizado, este se dá pela interação humana acima de tudo.

É isto que entende por educação quem defende a Educação a Distância e a “democratização” com ela promovida? Provavelmente não. A EaD pode ser fundamental para democratizar a “instrução”, tanto quanto o Youtube permite que pessoas possam aprender a consertar seus próprios computadores ou o SciHub leva artigos acadêmicos para pessoas que não poderiam pagar por eles talvez daí a tendência ao anacronismo que vimos no primeiro texto: qualquer transmissão de “dados” à distância pode ser reinterpretada como EaD! É obviamente benéfico que certos tipos de instrução cheguem onde faz falta, mas isso não substitui um espaço coletivo dedicado à aprendizagem. A EaD pode democratizar também as “credenciais”, isto é, diplomas e certificados que abrem portas num mercado de trabalho competitivo. Porém, esse “credencialismo” – em que remuneração tem mais a ver com diferenças socioculturais entre classess do que com a utilidade e a onerosidade do trabalho – também precisa ser criticado, especialmente porque afunda a classe trabalhadora em dívidas sem lhes oferecer a real experiência de uma educação superior como local de debate crítico, formação, de produção do conhecimento e de extensão a partir das demandas da sociedade, para além da formação que o mercado quer de nós. 

Sabemos que o modelo escolar predominante hoje tampouco conduz a essa definição de educação. Inúmeras escolas dizem “preparar para a vida”, mas isso frequentemente implica reproduzir a sociedade como ela é, com todas as suas mazelas. Mesmo quando o modelo de educação autoritário e industrial é subvertido, é para atender aos interesses de mercado: as elites querem que aprendamos todas a sermos “resilientes”, “flexíveis”, “empreendedoras” e “emocionalmente inteligentes”. Em outras palavras, que nos vejamos como agentes do mercado, nos adaptemos às decisões que as elites tomam, soframos os problemas sociais sem entender que são sociais. É a luta cotidiana das trabalhadoras nas escolas públicas – e também em algumas particulares – que torna a educação muito mais do que essa instrução técnica, uma educação que cria novas relações sociais e abre brechas para o conhecimento crítico que pode transformar a realidade. 

Quando o Fórum Econômico Mundial argumenta a favor da EaD, não apenas temporariamente mas como um “legado” da pandemia para a educação do futuro, sabemos que essa modalidade de educação promove valores que vão na contramão da sociedade que queremos construir. Através da naturalização da EaD e de nosso engajamento acrítico com ela, aprendemos que “educação” significa receber um depósito de conteúdo pronto isoladamente em nossas casas, gerenciando nossos próprios problemas de aprendizado usando ferramentas monopolizadas por empresas, sem buscar alternativas para a promoção de igualdade e solidariedade nesse processo. Isso não é educação a distância, mas tão somente distância: ficamos cada vez mais longes do mundo que deveríamos estar construindo no rastro de destruição que a pandemia deixa no tecido social.

Educação e vida digna

Durante a pandemia, a vida das pessoas, sobretudo da classe trabalhadora e dos outros setores oprimidos, está em risco. Não é só o vírus que enfrentamos, mas a diminuição da renda que afeta as condições materiais do povo. A pandemia só agravou uma crise anterior, de extrema precarização das nossas vidas aqui de baixo, com um aumento de custos das coisas mais básicas, como arroz, feijão, ônibus e aluguel, fora a política intensa de ataques aos direitos trabalhistas. Só cresce o número de trabalhadoras informais e o desemprego. Estamos sem um horizonte de vida digna, seja antes ou após a pandemia.

Nesse contexto, precisamos olhar para os currículos e entender que os conteúdos são apenas parte do que é função da escola ou da universidade. Sem comida no prato, fica difícil pensar no conteúdo perdido ou aquele que deve ser vencido online. As escolas e universidades públicas nesse momento podem ser espaços que atenuem os efeitos da pandemia e busquem garantir condições mais dignas para resistir a esse momento, através da distribuição de alimento e outros recursos, oferecendo seu espaço físico para uso dos órgãos de saúde e também permitindo que as professoras possam contribuir nesse momento em ações de apoio mútuo, não em planejamento de aulas. Sabemos que nossas escolas sempre foram porta de acesso para outros direitos sociais em nossas comunidades: local de informação e mobilização para vacinação, campanhas de saúde, políticas de assistência social, defesa dos direitos das crianças e das mulheres em casos de abuso, em muitos casos também um ponto de ajuda mútua onde as comunidades se organizam durante emergências e catástrofes. Nossas instituições de ensino devem pensar antes de tudo em nossas comunidades.

Além disso, pensar a EaD como nossa única chance de democratização de uma educação a algumas localidades e situações limita muito nossos sonhos sobre outro mundo. Temos que nos permitir sonhar por uma educação do tempo, em que todas aquelas com interesse e vontade de aprender possam ter a oportunidade para se demorar naquilo, sem ter a preocupação encaixotando sua vontade e seu direito a uma noite livre dentro da agenda cansativa da classe trabalhadora. Precisamos sonhar uma educação interiorizada, que chegue nos assentamentos e acampamentos da reforma agrária, quilombos e aldeias, em cada comunidade com o interesse de ter em seu território uma instituição pública de ensino. Nesse modelo, não é a cidade que oferece o ensino de longe a partir de uma realidade outra, mas a educação se dá de forma territorializada, fincada no chão em que brota como troca e a escola como um espaço de socialização, não mera transmissão de dados. É preciso sonhar e é preciso lutar cotidianamente para construir o projeto de educação que queremos para os povos oprimidos, sem o qual não existe vida digna!

RP COMENTA: “Empresas de ônibus da Grande Florianópolis suspendem contratos por dois meses” (ND+)

Leia a notícia: https://ndmais.com.br/noticias/empresas-de-onibus-da-grande-florianopolis-suspendem-contratos-por-dois-meses/

Com as medidas de isolamento social tomadas pelo governo do estado de Santa Catarina e a prefeitura de Florianópolis, o transporte público na Grande Florianópolis está suspenso desde 18 de março. Os ônibus na região são do Consórcio Fênix (Canasvieiras, Emflotur, Estrela, Transol e Insular) e também das empresas Jotur, Biguaçu e Imperatriz, nomes conhecidos daquelas que lutam contra o monopólio do sistema público de transporte – em 2014, a Consórcio Fênix ganhou licitação para atuar por 20 anos no transporte da cidade. A suspensão do contrato afetará milhares de trabalhadoras em um momento de pandemia e crise social. 

A suspensão tem como base a MP 936, medida com força de lei instituída pelo presidente Bolsonaro, que prevê suspensão dos contratos por parte dos patrões por até 60 dias ou dimunuição da carga horária de trabalho, com consequente perda salarial para a trabalhadora. O Estado se responsabiliza por pagar os salários daquelas que tinham o direito de continuar empregadas, para livrar os ricos de pagarem pela pandemia. É o patrão enchendo o bolso, enquanto os pobres mendigam por uma renda mínima pra passar por essa pandemia. Lembrando ainda que a MP tem como base não o salário pago pelo patrão à trabalhadora, o Estado calcula sobre o valor que pagaria em seguro-desemprego, o que pode acarretar uma diminuição da renda das trabalhadoras. Segundo cálculo por DIEESE, um salário de R$1500, cerca de um salário mínimo e meio, cai para $1290 com a suspensão do contrato – levando em conta que as empresas de ônibus se encaixam na categoria de empresas com receita anual maior que 4,8 milhões de reais. 

Muitos patrões têm se utilizado dos benefícios que a MP traz para os de cima. Luciano Hang, dono da rede de lojas HAVAN, suspendeu o contrato de 11 mil funcionárias. Já a Catarinense, companhia de ônibus intermunicipal e estadual, fez a suspensão de forma unilateral, sem diálogo com a categoria ou com o sindicato. Os custos do repasse de pagamento salarial, que sai da responsabilidade do patrão por dois meses e passa para o poder público, serão de dezenas de bilhões de reais por todo o país.

No caso das companhias de transporte da Grande Florianópolis, assim como é o caso da Havan, trata-se de empresas com lucros anuais altos. Como estudantes, vivemos anualmente o drama do aumento da tarifa, como se fosse já um ritual de ano novo e sempre sob a justificativa de prejuízo por parte das empresas, como se os donos fossem bons samaritanos oferencendo transporte público à cidade. A tarifa aumenta e o lucro dessas empresas se mantém constante. Há vários episódios de nossa história de luta em Florianópolis mostrando a digna raiva do povo contra essa equação, como as Revoltas da Catraca (2004 e 2005) e as Jornadas de Junho (2013). 

A suspensão dos contratos das trabalhadoras do transporte público da Grande Florianópolis reflete o caráter dessa MP, que diminui a renda de muitas trabalhadoras enquanto alivia o bolso do patrão. O que é necessário é uma renda mínima universal de um salário mínimo a milhões de brasileiras em trabalhos informais ou em situação de desemprego. Para aquelas contratadas, faz-se necessário que os patrões arquem com a crise e abram mão de seu lucro astronômico. Durante a pandemia que vivemos, que demanda alto investimento do Estado para garantir a vida das classes mais vulneráveis, é necessário que os mais ricos sejam taxados, sem condições de ampliar seu lucro ou minimizar perdas que não fazem cócegas em contas milionárias. É necessário lutar por vida digna para as nossas e combater o lucro dos patrões! 

Como estudantes e usuárias do transporte público, saudamos motoristas e cobradoras, categoria que deve permanecer em isolamento social. Com o alto fluxo de passageiras, o retorno do transporte público não pode ser uma possibilidade durante o combate à pandemia, pelo impacto que isso pode causar em toda a população e a super exposição dessas trabalhadoras. 

QUE OS RICOS PAGUEM PELA PANDEMIA!

Acompanhar também é lutar!

Não era novidade para ninguém que nos submetermos à um isolamento social traria consequências psicológicas para todos. Nas primeiras semanas de quarentena já era possível ver posts na internet de tom jocoso que sugeriam que no décimo dia de quarentena já estaríamos fora de nós mesmos. Tudo isso não é por o acaso; nascidos em uma sociedade em que somos serventes do mercado, portanto, da produção constante, a sensação de estarmos presos em casa, sozinhos, ou mesmo com outras (poucas) pessoas (família, amigos, companheiros), até nossos hobbies se tornam motivos de auto cobrança, pois não estamos fazendo “nada”, sem poder viver nossa vida ordinária, ou momentos de lazer com colegas – o que já parecia motivo de alarme para grande parte da população.

Imagine então uma situação piorada, que é a que a camada popular brasileira se encontra atualmente, em que não só perdemos as atividades e tarefas no exterior de nossas casas, mas estamos a beira de um colapso, com o aumento do desemprego, trabalhadores tendo que furar a quarentena para garantir seu sustento, estudantes sem o amparo devido da universidade – em sua maioria sendo obrigados a fazer atividades avaliativas à distância mesmo sem acesso à internet ou com problemas de saúde na família, com um presidente e governadores que ao invés de diminuir a perda de vidas preferem diminuir a perda de lucro das empresas, com os preços do mercado aumentando já que existe alta procura e baixa produção – e o preço tem que subir para conservar o lucro (mais uma vez o lucro à frente da vida), com moradores sem informação de como se prevenir – utilizando mascará, álcool em gel e papel higiênico (?) de forma indevida, com uma parte dos cidadãos se baseando em calúnias e notícias falsas sobre o corona vírus, e a eterna sensação de olhar pela janela sem saber quando ou, até mesmo, se as coisas voltarão à ser como antes. Sem contar outras situações mais precárias, como por exemplo; pessoas que nem onde morar tem para poder realizar a quarentena. E ai, como fica o Brasil?

Antes de todo esse caos nos atormentar, quantos de nós já não tínhamos sofrido, ou já sofríamos de ansiedade e depressão?! Podemos dizer que o século XXI é o século em que estes transtornos crescem a cada segundo. Junto com esse fator, vemos crescer também a patologização da vida, que comprime os problemas sociais, coletivos e do Estado ao indivíduo; como dizer que o que estamos vivenciando em relação à pandemia, desde o contágio do COVID-19, até os problemas de saúde mental se potencializando, não se refere também, até certa perspectiva, à essa crise social que estamos vivenciando, isentando o aspecto político dessa abordagem.

Não podemos perder de vista todos esses apontamentos e principalmente ter a compreensão de que companheiros e companheiras que estão na luta também estão aptos de sofrer e ter crises psicológicas por conta da conjuntura atual e problemas pessoais, desde de sua vida privada, tendo que suportar a quarentena (que como já dito, para a camada popular a vida em isolamento social adquire outro caráter), até aqueles que não tem condições de se manter em isolados por conta de emprego (dobrando os riscos de contágio e o desespero em torno de toda essa calamidade).

Por isso ressaltamos a importância de construirmos redes de apoio mútuo e solidariedade entre nós, desde grupos para realizar atividades de lazer à distancia para ajudar os companheiros e companheiras à se recompor, até redes para arrecadar alimento e utensílios básicos a aqueles que não estão conseguindo se manter financeiramente. Precisamos urgentemente estar ao lado dos explorados, acompanhando-os e auxíliando-os à levantar e permanecer em luta.

SOLIDARIEDADE E APOIO MÚTUO NO ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA!

Resistência Popular Estudantil – Floripa
Resistência Popular Estudantil – Marília
Resistência Popular Estudantil – RJ

1,2 Tri para os bancos, míseros 600 reais para os pobres

Lucro indo para os bancos e prejuízo para os pobres. A degradação das condições de vida representada pelo aumento dos preços e pelo aprofundamento da violência de Estado segue a passos largos liquidando as possibilidades de sobrevivência e vida digna do povo brasileiro, deixando o viver mais difícil a cada dia.

Descendo no buraco desde pelo menos 2011, os ricos puxam a economia brasileira em sua queda, que vai chegando ao fundo do poço cada vez mais rápido agora com o problema do corona vírus. Como podemos ver, da maneira que é recorrente na história do capitalismo, o Estado agora surge para lançar a corda até o fundo do poço para salvar apenas a burguesia parasitária, mostrando que o “Estado mínimo” defendido pelos liberais, é para os pobres apenas. Enquanto isso, nós, os de baixo, continuaremos a sobreviver (ou morrer) no fundo deste poço; vendo cada vez mais a corda de nossa salvação para uma vida digna sendo cortada pelo mesmo Estado.

Saiamos agora do campo das metáforas e olhemos para a realidade concreta. Em poucos dias de crise, sem nenhum tipo de hesitação, a equipe econômica do governo Bolsonaro liberou cerca de 1,2 trilhões de reais, o equivalente a 16,7% do PIB (1), para as instituições financeiras (no Brasil, basicamente: Itaú, Bradesco e Santander). Segundo o presidente do Banco Central, essa medida tinha como objetivo “injetar liquidez” e “fazer caixa” para essas instituições. Ainda assim, o fato mais desumano e cruel dessa medida não se apresenta nela em si mesma, mas sim na não exigência de nenhum tipo de contrapartida social por esses sanguessugas, isto é, na não exigência de qualquer medida de afrouxamento de cobrança de juros e renegociação da dívida, para população mais pobre e endividada (segundo pesquisa realizada em dezembro de 2019, o percentual de famílias endividadas no Brasil bateu recorde com 66% ) (2), por exemplo. A corda lançada aos banqueiros nunca esteve tão firme e resistente.

Por outro lado, quando o assunto é salvar o povo e tirá-lo da miséria, Bolsonaro parece adormecer em berço esplêndido. Foi assim durante quase 30 anos de vida política, não seria diferente agora no cargo mais importante do país. O que mudou é que agora ele adormece junto de Guedes, Moro e companhia.

Após ter sido duramente criticado pela ridícula medida de apoio de 200 reais para trabalhadores autônomos e informais, a equipe econômica do governo se viu colocada contra a parede devido a diversas a reações pelo país a fora tendo que recuar e aceitar a proposta criada pela oposição (a rigor esse valor foi de uma proposta do Major Vitor Hugo do PSL), na qual aumentava em até 1200 reais tal remuneração (3). Entretanto, mesmo com as duras críticas recebidas, o governo não deixou de mostrar sua perversidade e vetou o trecho que ampliava o auxílio para 600 reais aos que tem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (idosos e deficientes pobres – 4). O povo, agora, vê sua corda sendo cortada pelo mesmo Estado que salvou os banqueiros multibilionários.

E mesmo que os 600 ou 1200 reais sejam bem vindos e resolvam parcialmente o nosso problema da fome, ainda é pouco, não podemos cair na armadilha de comemorar esse valor como uma grande vitória, pois na prática ele significará que os trabalhadores e as trabalhadoras informais tenham que continuar se arriscando em ônibus lotado, nos bicos, a limpar casa de outras pessoas, vender coisas em trens e sinais, em poucas palavras: continuar se virando para colocar pão em casa! Quarentena tem que ser um direito e não uma obrigação e para garantir esse direito 1200 ou 600 reais não bastam, exigimos o salário minimo necessário calculado pelo DIEESE que leva em conta quanto uma família de 4 pessoas precisa para ter uma vida digna ao longo de um mês, que no mês de março/2020 estava em R$ 4.483,20, que se pago aos 40 milhões de desempregados por 3 meses daria apenas 45% do valor pago aos bancos de uma só vez.

Lucro indo para os bancos e prejuízo para os pobres.

Ainda em comparação com a ajuda as instituições financeiras, o “coronavoucher” aprovado de 600 ou 1200 reais representará para os cofres públicos cerca de 98 bilhões, isto é, apenas 1,3% do PIB enquanto aos bancos foi repassado 16,7%, como dissemos anteriormente. Além dessa absurda desproporção, o governo não para por aí. Chegaremos a quase um mês de crise pelo corona vírus e Bolsonaro e sua equipe ainda não possuem um projeto robusto e de peso que não apenas proteja os empregos atuais, mas crie novos postos de empregos para desempregados e crie também direitos para trabalhadores que estão na mão do setor informal, como as multinacionais de aplicativos (Uber, Ifood, Rappi e etc), empresas de cosméticos (revendedoras), domésticas, vendedores ambulantes etc.

O que o governo apresentou e usou de chantagem para aprovação do coronavoucher foi um projeto apelidado de PEC do Orçamento de Guerra. O que o governo não diz é contra quem é essa guerra. Enganam-se os que acham que é contra o coronavírus, essa guerra é contra os trabalhadores e as trabalhadoras, é contra os serviços públicos, é contra o povo, pois o projeto determina que o dinheiro que vai para os programas sociais possa ser usado para pagamento de dívida, que poderá crescer indefinidamente esse ano, e sabe para quem esse dinheiro acaba indo quando paga a dívida? Itaú, Bradesco e Santander, os mesmos bancos que já levaram R$ 1,2 trilhão dos cofres públicos. O projeto permite também que o Banco Central compre títulos podres desses bancos, o que significa em outras palavras, comprar as ações furadas e garantir que os prejuízos sejam arcados pelo nosso dinheiro público.

Lucro indo para os bancos e prejuízo para os pobres.

Esse projeto se seguiu a outros tão ruins quanto, que permitem suspensão e redução salarial, “negociação” direta entre patrão e trabalhador e estabelecimento de banco de dados com ampliação da jornada de trabalho em 2 horas quando do retorno das atividades.

Nada disso vai resolver nosso problema, pois os preços não param de subir e o governo não garante nossos direitos, pelo contrário, retiram cada vez mais e entregam no máximo uns poucos reais.

Para resolver nosso problema exigimos:

Recontratação imediata dos demitidos, com pagamento de salários garantidos pelo governo!

Abertura de novos postos de trabalho formais com garantias de direitos imediatamente após o controle da pandemia!

Suspensão e redução de mensalidades de universidades privadas!

Garantia de um auxílio emergencial que nos garanta a vida digna!

Assinam essa nota conjuntamente :

Resistência Popular Estudantil – Rio de Janeiro
Resistência Popular Estudantil – Marília
Resistência Popular Estudantil – Floripa

Fontes usadas no texto:

1 https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2020/03/24/internas_economia,836224/pacote-anunciado-pelo-governo-deve-liberar-r-1-2-trilhao-aos-bancos.shtml

2 – https://www.ocafezinho.com/2020/01/09/66-dos-brasileiros-estao-endividados-recorde-no-pais/

3 – https://www.infomoney.com.br/economia/auxilio-emergencial-de-r-600-especialistas-avaliam-efeitos-e-dificuldades-do-coronavoucher/

4 – https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/02/bolsonaro-beneficio-600-reais.htm

Que os ricos paguem pela pandemia!

Vemos se difundir pela televisão, internet e redes sociais a narrativa de que o Corona Vírus é o causador da crise na qual seguimos afundando. Tal narrativa, impulsionada pela grande mídia e governantes, busca esconder o cheiro de podre vindo do cadáver do atual modelo econômico. A necessidade permanente de crescimento e expansão (Lucrar, lucrar, lucrar…) do capitalismo e sua tendência à financerização são as verdadeiras causas do cenário de crise, e possível recessão, que é agravado e intensificado pela pandemia. Buscando expandir seus lucros para além da produção de mercadorias, sem correr os riscos diretos (compra de maquinário; matéria prima; custo com a força de trabalho), e se desenvolvendo proporcionalmente mais na esfera financeira, o grande capital especula em cima de um dinheiro que ainda não existe, e que pode vir a ser parte do lucro das empresas direcionado aos acionistas. Na medida em que mais e mais capitalistas preferem apostar no mercado financeiro, mais a produção industrial – produção de riqueza real, bem como geração de emprego – se enfraquece. Em 2019 a produção global enfraqueceu, pois o consumo enfraqueceu, logo o valor realizado, o rendimento dos dividendos, se distanciou do valor prometido. Assim bolhas explodem. Os grandes rentistas logo fogem para um investimento seguro, normalmente os títulos da dívida pública, principalmente norte-americana, ocorrendo assim a chamada “fuga de capitais”. Mas não nos deixemos enganar achando que esse processo alivie a pressão em torno de nossa dívida pública, pelo contrário, segue sugando mais da metade do nosso PIB, que vai parar no bolso de grande banqueiros.

Os recentes ataques aos direitos da classe trabalhadora contribuem para o cenário de caos social intensificado pela pandemia (que tende a se agravar nas próximas semanas). A reforma trabalhista, aprovada em 2017, acirrou a situação de vulnerabilidade socioeconômica das/os trabalhadoras/os, o que se torna evidente quando o direito a quarentena é negado aos trabalhadores informais, os quais, sem nenhuma garantia de renda, continuam a trabalhar. Enquanto isso, aos trabalhadores formais são impostas “férias antecipadas” ou demissões voluntárias. Ou seja, somos nós trabalhadores que estamos pagando pela pandemia. Além disso, o congelamento dos gastos públicos na área da saúde e educação promovidos pela EC 95 precarizou e sucateou nosso sistema de saúde público, que se mostra tão essencial em tempos de pandemia. Além dessas, a recém aprovada reforma da previdência obriga as/os trabalhadoras/es a pagar a conta das divídas de grandes sonegadores (bancos e grandes empresas que tem uma dívida bilionária à previdência e nunca a pagam devido às negociações e perdões fiscais) e condena o povo a trabalhar, quase que literalmente, até morte. Por mais que ainda estejamos sentindo as medidas dessa reforma em sua forma inicial, fica evidente que, em casos de crise como a que vivemos hoje, os trabalhadores mais velhos serão um dos grupos mais afetados, o que se agravará com o empobrecimento imposto pela reforma.

Bolsonaro, através de pronunciamentos esdrúxulos e genocidas, reflete o posicionamento da classe dominante: “o Brasil não pode parar por 5 ou 7 mil mortes” (Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero). Um estudo realizado pelo Dieese revela que um salário suficiente para pagar pelos produtos definidos pelo governo federal para uma cesta básica, seria de R$4.366,51, enquanto cerca de 60% de brasileiros vivem com cerca de R$928 reais por mês. 41,3% dos trabalhadores brasileiros são informais, segundo IBGE. Estes são camelôs, ubers, trabalhadoras domésticas sem carteira, etc, ou seja, pessoas sem FGTS, sem seguro desemprego, sem licença médica remunerada e sem fonte de renda que não venha da venda de sua mão de obra. O total desprezo pela vida dos trabalhadores é intensificado em períodos de crise e recessão econômica, mas é necessário frisar que a política de precarização e negação de uma vida digna já estava em curso com as medidas já mencionadas, as reformas e EMC 95. Devido a tal emenda o SUS já perdeu R$ 20 bilhoes desde 2016, e ainda terá um prejuízo de até 400 bilhões de reais até 2036. A medida anunciada no dia 18/03 por Guedes de 200 reais mensais para os trabalhadores informais durante o período da pandemia chega a ser um insulto. O valor irrisório junto as restrições ao acesso ao auxílio escancaram a frieza e indiferença dos gestores do capital quanto a vida do povo, nos jogando a uma situação de fome e miséria. A austeridade e o ajuste fiscal não veem barreiras, e o Estado policial recordista em matar no campo, do país recordista em matar transexuais, assim como o genocidio brasileiro dos povos da floresta, de negros e favelados e o feminicidio que ceifou 1314 vidas em 2019, ganha agora um incremento.

Somos nós os produtores, ou seja, sem nossa força de trabalho, não há transporte, de pessoas ou de alimento/mercadorias, não há venda; cobrança; pesquisa; não há indústria; internet; luz e energia. E como o que produzimos nos é furtado, são aqueles que nos furtam os preocupados com a queda da produção. Então porque somos nós quem devemos pagar com essa conta? O cenário é realmente impactante e devemos cobrar para que seja levado com seriedade, tanto pelos engravatados quanto por nossos companheiros de classe. Deve ser ressaltado sempre que nada existe sem nós trabalhadores, e que nada esperamos do Estado, porque a nós nada nunca foi dado e sempre conquistado. O momento é de ainda mais solidariedade e organização entre os nossos, não só para enfrentarmos o COVID19, mas também para cobrarmos cada gota de sangue de nossa classe derramada para o enriquecimento desses assassinos. E os ricos pagarão! Pagarão com suas cabeças e com as nossas riquezas que são usurpadas por eles, porque mais fortes são os poderes do povo!

Assinam:
Resistência Popular Estudantil – RJ
Resistência Popular Estudantil – Araraquara
Resistência Popular Estudantil – Marília
Resistência Popular Estudantil – Floripa
Resistência Popular Estudantil – RS
Resistência Popular Estudantil – Paraná

As mulheres trabalhadoras sentem na pele cada dia mais os ataques que o governo dispara em sua direção

Desde a colonização aos dias atuais lutamos pela nossa dignidade, que é constantemente violada pelo patriarcado e racismo arraigados no país. Atualmente, o governo Bolsonaro vem com seus ideais neoliberais aprofundar a miséria do povo e enriquecer cada vez mais as elites às custas de nossa dignidade.

Esse processo não começa do nada: é resultado de anos de conciliação de classes, que nos jogou migalhas enquanto enchia os bolsos dos grandes empresários, banqueiros e latifundiários, gerando imobilismo das grandes centrais sindicais, fortalecendo as elites e preparando o terreno para que o neoliberalismo descarado enfie, sem pudores, suas garras afiadas cada vez mais fundo em nossas vidas. O sustento das/os de cima é promovido através da exploração da/os de baixo, e essa realidade assola a América Latina de modo geral, produzindo a desigualdade combinada também à herança colonial.

Nos últimos anos as reformas Trabalhista e da Previdência aumentaram a exploração dos corpos das mulheres, cujo tempo de trabalho já é no mínimo dobrado em relação aos homens, além de ter que resistir às violências de gênero em casa .

A nossa rotina é custosa em todos aspectos. Sabemos que o Brasil é um dos principais países do mundo com casos de feminicídios, fora as várias violências de assédio sexual por que passamos. Nós resistimos contra os ataques de gênero, raça e classe porque vemos outras mulheres de nossa família ou do convívio social que nos fortalecem e nos motivam a marchar em direção à vida sempre mais justa de se viver.

Fazemos menção aqui a Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018 denunciando os abusos da polícia militar e lutando pela dignidade da mulher negra frente ao Estado opressor e assassino.

Aliado à lógica neoliberal, o avanço do conservadorismo também nos ataca, favorecendo ainda mais o pensamento misógino e sexista. O debate do aborto não é entendido como um tema de saúde pública, e muitas mulheres seguem morrendo na necessidade de se submeter à abortos clandestinos.

Não bastasse o aumento do custo de vida desmoronando sobre nós – com aumento do preço dos alimentos, produtos para higiene, gás, aluguel e das contas de luz e água – vemos o descaso com as nossas necessidades e urgências enquanto mulheres estudantes e/ou trabalhadoras que diariamente resistem à todas as formas de opressões.

O neoliberalismo intensifica também o desmonte dos serviços públicos, como creches, saúde e educação. Não termos acesso à uma educação pública de qualidade também contribui para que tenhamos que nos submeter aos serviços mais precarizados.

Já no ensino básico é possível perceber, pela existência de renomadas escolas particulares que garantem o sucesso no vestibular, que o ensino superior é feito para os filhos de quem no mínimo pode pagar uma educação privada.

Dentro da universidade temos mais problemas: a falta de permanência estudantil. Aqueles poucos que conseguiram quebrar a barreira de sua situação financeira para ocupar espaço em uma universidade pública sendo da camada popular, tem sua existência ameaçada no curso, pois não tem os subsídios necessários para se manter sem auxílio da instituição.

Tudo isso é parte de um projeto anti-povo, que incorpora as dominações sociais para o espaço universitário, impedindo que a produção de conhecimento seja feita pelos dominados, conservando assim que essa produção continue sendo realizada através da perspectiva dos dominadores

Para a compreensão daquilo que diz respeito à hierarquia universitária podemos abordar a presença de um setor marginal presente nesse contexto. Anos antes das cotas sociais e raciais serem implementadas ou até mesmo conquistadas, mulheres pobres e mulheres negras existentes na universidade, em sua maioria, eram faxineiras e servidoras e terceirizadas. Com um avanço dessa luta já é possível dizer que estamos em um outro cenário sobre essa situação, mas que ainda não é suficiente. Um exemplo é que é possível contar nos dedos as mulheres transexuais estudam na sua faculdade, se houver.

Mesmo com a entrada de mulheres periféricas na universidade a estrutura ortodoxa e elitizada do ensino superior continua a mesma, de modo que o espaço dessas pessoas na produção de conhecimento ainda precisa ser duramente disputado, pois para uma educação branca, patriarcal e elitista não há lugar para filhas de faxineiras, costureiras e trabalhadoras urbanas e rurais, donas de casa, mães solo, mulheres transgênero, travestis e transexuais, negras e indígenas.

Pensar em uma universidade feita por e para o povo, com acesso irrestrito da camada popular e que fortaleça os de baixo, é pensar em uma universidade que pretende romper com as relações de dominação presentes nos círculos acadêmico, administrativo e social da educação superior, assim como quer romper com essas relações na sociedade. A mulher só viverá dignamente na universidade quando a luta por moradia, permanência estudantil e pelo fim do vestibular estiver em dia, e a capacidade de mulheres periféricas produzirem conhecimento for cada vez mais for posta em prática.

Para isso é necessário construir esse processo de organização política incorporando as questões e pautas dos setores marginalizados.

Portanto, entendemos que é importante erguemos nossos punhos nesse 8 de março para lutarmos contra o avanço do neoliberalismo e reivindicarmos uma vida mais justa para nós, que só é possível através da força coletiva e popular e da democracia direta.

É nós por nós!

MULHER É RESISTÊNCIA NA LUTA POR VIDA DIGNA!

Assinam essa nota:

Resistência Popular Estudantil – RJ

Resistência Popular Estudantil – Marília

Resistência Popular – Fronteira Sul

Resistência Popular Estudantil – Porto Alegre

Resistência Popular Estudantil – Floripa

Resistência Popular Estudantil 28 de Março – Araraquara

UFSC: Se for, vá na luta

A universidade tá começando o ano tipo Bacurau. Já assistiu?

Protagonizamos algumas das lutas mais importantes do país em 2019. Contra a destruição ultraliberal e fundamentalista, oferecemos as maiores assembleias da história da UFSC e uma grande greve estudantil construída pela base, mesmo sem o apoio das grandes entidades estudantis nacionais. Durante o recesso de nossas aulas, na surdina, Bolsonaro e sua trupe tomaram medidas que podem significar um golpe fatal em nossas universidades e na produção científica. A verdade é que todo o seu governo se une no ódio a nós, as pessoas pobres que utilizam os serviços públicos. O que precisamos fazer em 2020 é massificar e radicalizar. Calouras e calouros que estão chegando, já entrem avisadas. Se vierem, venham para a luta.

Durante as férias, no início deste ano, o Governo Federal instruiu às Instituições Federais de Ensino Superior suspender a contratação dos servidores por tempo indeterminado, interrompendo o prosseguimento de concursos e processos seletivos e deixando nossas universidades e institutos federais desfalcadas para o início do ano letivo.

Temos 17 Colégios de Aplicação espalhados pelo país e todos estão sentindo o impacto causado pela falta de professores. Foi preciso adiar o início das aulas em muitas escolas; em outras, o funcionamento é parcial, com estudantes sem aulas em diversas disciplinas. Aqui na UFSC a situação não é diferente. Com o quadro docente incompleto, a educação básica está com aulas de Arte, História, Português e Educação Física comprometidas. Com afastamentos e términos de contrato em março, o cenário do Colégio de Aplicação irá se agravar ainda mais. Em nosso Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI), que atende crianças de 0 a 6 anos, o horário de atendimento já foi reduzido em 50 minutos, garantindo o atendimento mediante à reorganização e a sobrecarga de trabalho das servidoras da instituição. Na graduação estão faltando cerca de 100 professoras para as aulas que começam nesta semana e disciplinas serão canceladas.

O rombo no orçamento das Universidades Públicas para 2020 é ainda mais profundo: a redução chega a 40%! O governo não fala agora em corte ou congelamento, mas inventa novas figuras retóricas; as palavras da vez são aprovisionamento técnico e orçamento condicionado. Outra vez, as dificuldades irão recair sobre a comunidade escolar, afetando a qualidade da merenda e dos materiais disponíveis às atividades pedagógicas.

Neste início de março haverá a redução (mais de 50%) no montante de bolsas destinadas à estudantes de graduação, que no Aplicação e NDI realizam atividades formativas, auxiliando nas dinâmicas de sala de aula, oferecendo suporte às crianças pequenas e ao público alvo da educação especializada. Já imaginou apenas uma professora em sala de aula para 15 bebês?

A justificativa de parte dessas medidas está na aprovação da Lei Orçamentária Anual, que estabelece o limite de gastos da União. No entanto, essa armadilha está colocada desde a Emenda Constitucional 95 de Temer, que congela os investimentos da saúde e educação, nos asfixiando mais a cada ano. Bolsonaro, que é um Michel Temer piorado, não questiona o teto de gastos, apenas oferece precarização e privatizações como solução. Neste ano, ainda tenta responsabilizar as universidades pelo fim das contratações e pela gestão da crise, colocando nas costas das trabalhadoras e estudantes os graves prejuízos. Não vamos precarizar nossas vidas para satisfazer banqueiros e políticos!

Embora o Conselho Universitário tenha deliberado a continuidade das contratações, nada está garantido. Contra a brutalidade dos de cima, não serão suficientes abaixo-assinados, ofícios, petições, audiências públicas, pressão parlamentar. Também não será com a ANDIFES, a Reitoria ou outras instâncias institucionais que poderemos organizar a resposta necessária. Precisamos nos reunir através de nossos instrumentos de luta, em pé de igualdade entre estudantes e/ou trabalhadoras.

Já temos um calendário nacional de mobilização: o ato do 8M no dia 09/3; a memória ao assassinato de Marielle no dia 14/3; e o dia nacional de paralisação dos serviços públicos, no dia 18/3. Fortalecendo e radicalizando os atos de rua, pressionamos pela construção de uma greve geral de tempo indeterminado. Aumentando o nível de nossa organização nas bases, garantimos que ninguém decidirá nossos rumos em nosso nome.

NÃO PRECARIZARÃO NOSSAS VIDAS!
EM 2020 SEJAMOS INGOVERNÁVEIS!

Vídeos produzidos na Greve UFSC 2019

Fizemos abaixo uma seleção de alguns materiais audiovisuais importantes produzidos durante a greve deste ano, para manter o registro e para que nossas produções estimulem as futuras lutas, que precisarão ser ainda mais maiores no ano que vem.

Mais fortes são os poderes do povo!

1. HOSPITAL DA UFSC, HOSPITAL DO POVO!
Produzido pelo Comitê de Greve da Pós-Graduação UFSC

2. ESTUDANTES PELA EDUCAÇÃO
Produzido pelo Mobiliza CCA

3. O QUE EU PERDERIA SEM A UFSC?
Produzido por Relações Internacionais UFSC

4. OS ESTUDANTES DEPREDARAM O CENTRO DE CONVIVÊNCIA?
Produzido por ECOA UFSC

5. MANIFESTO DA GREVE ESTUDANTIL – ANTROPOLOGIA UFSC